Juíza Latina: Quem Comemora? Junot Diaz e a Diferença Brasileira (Vídeo)
Não havia um par de olhos secos na platéia na Casa Branca. A histórica nomeação da primeira pessoa de origem hispânica para a corte mais influente do mundo ocidental foi um momento carregado de emoção. O primeiro presidente negro notou que Sonia Sotomayor havia desafiado a perpetuação da desvantagem da minoria. Em todo o país, os adjetivos latina e hispânica voaram como chuva de papel picado na parada que despertou o orgulho de 15% da populacão americana - 45 milhões de pessoas. E nós com isso?
Os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, uma população difícil de calcular por causa dos ilegais mas estimada em 600 mil ou até 1 milhão, resistem a pular no saco de gatos cultural e demográfico onde as definições se confundem. Hispânico foi um termo cunhado para o Censo americano de 1970, por pressão do Senador Joseph Montoya, do Novo Mexico, para contar a populaçãode origem latino-americana e língua espanhola, que, como ele, usava o termo “hispano”. “Latino” veio depois e continou a excluir os brasileiros.
A resistência do brasileiro não vem apenas do fato óbvio de que falamos outra língua e somos um produto cultural de outra colonização e levas de imigração. Nossa população é muito mais informada sobre os Estados Unidos do que sobre qualquer país vizinho. No Brasil, a atitude predominante é de diferenciação e até de superioridade. Ao emigrar para uma cultura que absorve o estrangeiro mas não fala sua língua, em mais de um sentido, o brasileiro se ressente com a incapacidade do americano de distinguir entre o tango e o samba canção. Em parte, nossa necessidade de manter distância da América Latina espanhola pode ser explicada pelo chamado narcisismo da pequena diferença.
Em janeiro passado, fiz uma visita ao apartamento do escritor americano-dominicano Junot Diaz no Harlem. Diaz, que emigrou para os Estados Unidos ainda menino, ganhou o prêmio Pulitzer de 2008 com o belissimo romance A Breve e Maravilhosa Vida de Oscar Wao, recém lançado no Brasil pela Record.
NERD DO GUETO
O livro introduz o nerd do gueto, o oposto do estereótipo do machão. Como Oscar Wilde, Oscar Wao é um outsider. Mas suas aspirações são diferentes. Consumido por ficção científica e quadrinhos, ele quer se tornar um Tolkien latino. A linguagem híbrida do romance é vertiginosa, alta e baixa cultura colidindo entre referências literárias e gíria latina.
Infelizmente, Junot Diaz cancelou sua participação na próxima Flip, a feira literária de Paraty, que vai de 1o a 5 de julho. No começo da entrevista para o Caderno 2 do Estado de São Paulo, senti ter lhe causado alguma exasperação por levar a conversa para um assunto que ele preferia dissociar do romance, a condição de imigrante.
Apesar de estar cansado com o assédio constante da mídia, Diaz se engajou ao comentar sobre a grande colônia brasileira que ele observa em Boston, como professor de criação literária no MIT. Ele disse que, com a recessão, os brasileiros ilegais se tornaram um alvo fácil da Imigração americana: “Este solipsismo da natureza da identidade brasileira no contexto dos Estados Unidos, onde o que dá certo é construir redes, coletivos de grupos, voltou-se contra os brasileiros.”
EXPEDIÊNCIA POLÍTICA
Diaz considera rótulos, ainda que incompletos, apenas a primeira parte da conversa e não prejudicariam a identidade brasileira. “Quando você cria obstáculo a definições, a conversa morre ali mesmo. Sempre precisamos de generalidades para descrever experiências coletivas. Desde que as expressões genéricas não eliminem a capilaridade da nuance, do específico, não há problema. O que me incomoda é que todos querem ter tudo. Os brasileiros querem ser brasileiros quando ganham no futebol, quando é hora de acenar com a bandeira. E você sabe como os brasileiros podem ser nacionalistas. No entanto, pode colocar dois brasileiros lado a lado e supor que vieram de planetas diferentes. Há uma expediência política em selecionar a generalidade que queremos adotar.”
Assista aqui a um trecho do vídeo em que Junot Diaz fala de seu protagonista Oscar Wao, da sombra do ditador dominicano Rafael Trujillo sobre sua identidade e recomenda seus contemporâneos favoritos na literatura.




Eh o que dizia sobre o monopolio ainda que cultural, a questao de nao virar vira-lata - a propos - e ficar com a imunidade baixa ao ataque cultural por sermos regionalistas. O Brazuka jah eh brega por natureza, mas nao eh um brega cult como os compositores que rodeavam Tima Maia, como Hyldon, onde no ultimo disco Chico Buarque toca Kalimba. Melhor sair correndo dai como eu fiz depois de vinte anos e voltar a Banania que anda muito mais interessante. Tem ateh Starbucks… Ou entao ficar ai e andar na colonia irlandesa.
O brasileiro sofre de baixa estima quando está fora do seu país- ou quando está nele também? -
Não sei se também por ser brasileira, e sofrer do referido- mal, coloco-me a analisar esta questão da seguinte forma:
Falta-nos solidariedade mútua quando estamos fora do Brasil.
A simples identificação da língua em comum, em território alheio, faz correr um brasileiro para cada lado.
Poucos, da grande maioria de imigrantes, referem orgulho publicamente da sua cultura.
Não se responsabilizam pela difusão de nossa história, de nossa geografia.
Temos que marcar posição e firmar denominação: somos brasileiros, sim senhores, com nossas mazelas e nosso triste cotidiano.
Começar a admitir é um bom início, para mudar a nós mesmos aqui e lá, e assim mudando o curso de nossa sociedade, de nossa pátria.
[...] o romance. Uma entrevista foi concedida a Lúcia Guimarães, para O Estado de S. Paulo (em seu blog, Lúcia também disponibilizou um vídeo com o autor); a outra entrevista foi publicada no site [...]
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