DIVÓRCIO À NOVA-IORQUINA
Se os nova-iorquinos querem questionar a credulidade de uma pessoa, usam a expressão, “Se você acredita nisto, tenho uma ponte no Brooklyn para lhe vender.” Hoje, o conglomerado Time Warner livrou-se da ponte que comprou na Virginia.
A Time Warner vai cortar as cordas do balão da AOL, America On Line, e deixar a companhia flutuar no mercado, no fim do ano. A fusão que resultou na AOL-Time Warner, em 2001, é um dos maiores fiascos da história corporativa americana. O espertalhão Steve Case, que hoje tweetou em aprovação do desfecho, como se alguém fosse lhe pedir conselho, conseguiu inflar para 150 bilhões de dólares a avaliação da provedora de Internet que havia fundado. A união das duas companhias, então a maior da história, foi de fato a compra da Time Life, com todos os seus tentáculos, pela AOL.
Jeff Bewkes, o homem que bem definiu a fusão num memorando - “bullshit” - quando era presidente da HBO, a rede de cabo subsidiária da Time Warner, é hoje o CEO da Time Warner. Ele se preparou cuidadosamente para empinar o balão da AOL, depois de tentar, sem sucesso, empurrá-la para o Yahoo e a Microsoft.
A bolha da Internet estourou pouco depois da fusão e o valor da AOL Time Warner em papel se evaporou em 100 bilhões de dólares. A AOL, hoje avaliada por especialistas em 3, 4 ou 5 bilhões de dólares, tem ainda um dote para oferecer aos pretendentes. Sua audiência de 107 milhões de visitantes únicos e a maior base de assinaturas ainda dependentes de linha telefônica, 25 por cento dos membros da AOL americana.
O desfecho do casamento, além de por fim a 8 anos de agonia corporativa, serve de ilustração para
inutilidade de palavras de ordem, neste caso, sinergia. A idéia por trás da fusão, além de enriquecer os executivos acionistas, era juntar a “velha” mídia à nova. As culturas das duas companhias eram incompatíveis, o que ficou claro antes mesmo de se definirem os postos de comando. A cosmopolita Time Warner com suas publicações, estúdios de cinema, canais de TV produzia conteúdo. A AOL, embora tenha sido pioneira de novidades online como o networking social, era um aglomerado de jecas com sede em Dulles, Virginia.
No começo do ano, a Time Warner desligou-se de seu braço de distribuição de TV a cabo, a Time Warner. A atenção da terceira maior companhia de mídia do mundo deve ser voltar em seguida para sua subsidiária, a Time Inc. A divisão publica as revistas Time, People, Fortune, Sports Illustrated, entre outras, e enfrenta os desafios comuns à toda “velha” mídia.

Gratissima, um abraço, Lucia
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