Complexo Militar de Um Homem Só e outras histórias do Times
A manhã fria e chuvosa torna o a edição de domingo do New York Times mais interessante? Ou, se fizer sol, torcemos secretamente para o tempo fechar, abandonamos o exercício matinal sem culpa e voltamos para o quilo e 200 gramas de papel? (Sim, pesei a edição de hoje, estamos aqui para fazer jornalismo e não chutar informacão relevante). Uma seleção do melhor do Times de hoje.
Na primeira página, a reportagem de David Barstow sobre o general da reserva Barry McCaffrey, além de ser notável pela radiografia da promiscuidade entre Washington, a mídia e o complexo militar privado, é um exemplo da página impressa como aliada fundamental do jornalismo investigativo. É difícil segurar a atencão do leitor na tela ao longo de 5.197 palavras. (Sim, medi o texto no Word)
Mas, quem enfrentar o desafio online, vai ler uma narrativa que mostra como o compadrismo em qualquer meio profissional pode contaminar o serviço público e corromper a democracia. McCaffrey, o mais jovem general de 4 estrelas da história do exército americano, um herói condecorado em quatro diferentes missões de combate, engordou sua conta bancária como consultor da rede NBC e, mais adiante, como consultor ou executivo remunerado de várias empresas com interesse na duração da guerra no Iraque. Enganou o público fazendo comentários opostos sobre os riscos antes da invasão e, depois, sobre os fracassos da missão no Iraque, adaptando sua visão a patrões corporativos diferentes, sem revelar seus conflitos de interesse.
Da editoria de realidade Orwelliana, pais de crianças tão pequenas como 2 anos, estão fazendo testes genéticos nos filhos para estabelecer se eles têm futuro como atletas de modalidades diferentes de esportes, numa reportagem sobre o gene ACTN.
A vasta cobertura sobre o terror em Mumbai inclui a admissão de que o Twitter e as mensagens de texto cumpriram papel relevante na atualização do drama de 60 horas do ataque. Os novos twiteiros entre as celebridades, como Shaquille O’Neal, o Primeiro Ministro da Austrália Kevin Rudd e o músico Dave Mathews, têm suas platidudes destacadas no suplemento Week In Review, que hoje está supimpa. A forma binária e ineficiente de encarar o combate ao terrorismo - fazer guerra ou tratar como crime - é tema de uma análise de Jonathan Mahler e um escrete de massas cinzentas que inclui o economista Joseph Stiglitz oferece mais uma rodada de sugestões para o Presidente Eleito Barack Obama. E, para jornalistas que ainda não se sentem inseguros o bastante, Maureen Dowd oferece uma coluna sobre a terceirização do jornalismo local, na California a redatores em cidades como Bangalore, Índia. Não é erro de impressão, redatores na Ásia descrevem a inauguração da árvore de Natal em Pasadena.
As reportagens sobre consumo continuam a tratar da sobrevivência na recessão (Sunday Styles). E, se continuar a chover, porque não mergulhar sobre o artigo O Que Teria Feito Keynes?, do economista de Harvard N. Gregory Mankiw? Relevante também a resenha de Lições de Desastre, o livro de de Gordon M.Goldstein sobre McGeorge Bundy e o caminho para a Guerra no Vietnã, assinada por Richard Holbrooke, o perene candidato a Secretário de Estado que amanhã deve sofrer sua terceira decepção com a nomeação de você sabe quem.
Não é preciso ser gay ou solitário para dar atenção a Liza Minnelli, ainda que pelo DNA da amiga de Ana Maria Tornaghi. A filha de Judy e Vincente, ameaca voltar em boa forma, física, mental e artística numa nova série de shows e sua foto ocupa a metade da primeira página do suplemento Arts & Leisure. Quem é fã da irrepreensível Kay Thompson, a madrinha de Liza morta há 10 anos, vai gostar de saber que o novo show tem uma homenagem especial à multitalentosa atriz e musicista que protagoniza um dos melhores números de Funny Face, ao lado de Fred Astaire
Quem continuou atracado com o Times de hoje, em papel ou na tela, e tiver mais sugestões, serão bem-vindas nos comentários abaixo.


No domingo chuvoso carioca é ótimo receber um lead dos jornais americanos logo cedo. Quem tal lembrar a maravilhosa Kay Thompson dançando com Fred Astaire em Funny Face?
Excelente! Aqui está um link parao sensacional Clap Yo’ Hands, com Astaire e Thompson:
http://www.youtube.com/watch?v=Zq8UxKKBmtQ
É, uma manhã chuvosa ajuda um bocado a nos isolar, na companhia da edição dominical ou de um bom livro - no meu caso, em Belo Horizonte, com o Philip Roth de “Fantasma Sai de Cena”. Nos livra da culpa de driblar o exercício e nos dá a ilusão de um mundo, mais uma vez, alinhado, simultâneo, compartilhado por entocados como nós, a sós ou não.
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